colocando as mãos nas línguas

desejo fluindo riacho em nós

~~ “respiramos. respiramos. respiramos. deixa o verão pra mais tarde!”

dias de quarta é reunião mínimo diário. e ontem como foi, mínimo se fez. prosas e mãos em ritmos leves já que o clima faz conforto e solidões. ninguém entende a solidão do outro, ninguém entende o conforto do outro. apenas caminhante amigos, observar juntos e acolher.

entre fluxos vivendo expressão. há de se perceber espírito-corpo em falar, e as mãos corpo-espírito que também dizem tanto, o que fazem no agora? e penso nisso. se os nossos corpos expandem novas possibilidades e se destroem para construir outros. o que de matéria-concreto é feito nesse processo-corpo-isolamento-conforto-solidão?

 

daquilo que foram as quartas

 

férias?!

desde que o projeto #MemóriasPontuais chegou ao fim o que fizemos? primeiro uma ESPÉCIE-FÉRIAS. encontros espaçados, tempo de criar distância. precisamos de solidões para reencontrar corpo e um aos outros. dar ar ao movimento. sentir ritmo das coisas.

 

planos?!

após isso MONSTRO-PLANEJAMENTO. momento tumulto. tentativa forçada de fazer corpo-coletivo. desentendimentos e esbarrões. risos e muito giz-de-cerra. tentar criar pela consciência aquilo que só o corpo responde. nessa travessia de quase afogamento, ENCONTROS-FILOSOFIA deram possibilidade de romper com um sistema prisão externo e extravasar nossas vontades livres. Ser.Rio aparece vez primeira.


 

artes manuais?!

PRODUÇÃO-DEDO então tomou as rédeas e fez de nós algo outro. Ana começou uma oficina no Sesc Consolação de Introdução as Artes Manuais; Paulo focou na escrita-dança de teu teto-peça-corpo-existência com o teatro Meu Chão; Carlos mergulhou nas artes-manuais-para-educação-descolarização-encadernação-tecelagem-produção-de-si-e-do-mundo.

e esses seres singulares-corpos passaram a mostrar um ao outro as possibilidades de cada vontade. fizemos planejamento nosso produzindo Zines; passamos a gerar corpo no meio de compartilhamento de técnicas: máscara papelão, tecelagem mão, gerar pompons, primeiros dedos crochê-tricô; filosofamos em nós e palavras-conceitos; ouvimos vozes no compartilhar de Meu Chão. fizemos o nosso pequeno círculo para fortalecer aquilo que emerge desejo e aos poucos fluir correnteza de mundo. respiramos. respiramos. respiramos. deixa o verão pra mais tarde!

“Quebro. Desisto de entendimentos. A ciência de saberes pensares que se vá, caminho para atravessar afetos. Que sejam curto, pequenos, frágeis. Aceito o que construo. É construção corpo. Escrita-aprendizagem. Do que caminho para escrever? Do que caminho para aprender? Caminho. E encontro palavras-afeto. Palavras-poça. Preciso de palavras-rio. Palavras-fluxo. Só encontro palavra-poça. Palavra-poça é mastigada: educação, criança, livro. Palavras-poça é duro, não gera delírio, não se descre. Palavra-poça é séria e cheira a denso. E eu caminho. Quero fluir rio poema. Quero nadar num hoje. Quero um delírio, desejo.”

 

daquilo que pode desejo

agora nos hoje um novo projeto se esboça, Ser.Rio é nome ou inspiração? é afeto, teto e chão poético para algo a ser feito. é peça Meu Chão? é poesias imanentes Firmamento? é novas oficinas Encadernação e outras técnicas? é caminhar junto-separado além de quartas as segundas? é lançar primeira reimpressão do Costurando Contos Narrados? é gritar por aí vozes de Memórias que agem em nós? é brincar!

 

viver é etcetera… disse joão

encadernar é possibilidade de ordem-ruptura. mapear a si. criar um campo de imanência. espaço de divertimento para as artes e processos educativos se desdobrarem em meio a vida que se vive. planejar não precisa ser fórmula, pode ser invenção de processos artísticos. vivemos.

estamos a navegar por rio que agora somos. resistindo a fluir qualquer curso. negando um mundo que se quer rápido e exaustivo, tentando riachar. negando novamente as ideias de inovação e empreendimento, criação de produto-lixo apenas para escoar riquezas-excesso para o acúmulo, tentando riachar. provemos de nós o tempo riacho para quem saber criar o novo, não o novo inovado em apenas adicionar nova função-cor-tamanho-formato, mas sim o novo riacho que é por ser além valor. até quando será não sabemos? o que dará não saberemos? chegaremos ao mar? seremos poluídos? seremos a poluição? entraremos em caverna chão? virar lago ou poço? virar o quê? não se sabe, não se diz. apenas tenta. ou….

pra fluir riacho paulo-poema:

Eles não param de mastigar
mastigam até acabar o açúcar
e não cospem
pois são muito educados
não arrotam
só escondem o arroto
mastigam mastigam
e não cospem
mastigam as ideias
mastigam as emoções
mastigam os sonhos
– ah eu não entendi…
ai eles mastigam e explicam
assim então entendemos a poça
não o rio

 

como sempre sentimos AceiteOsErros.OutrasVozes.InventeUmMeio.QualÉOTeuVerso?

Deixe uma resposta