onde estamos ou da criação do mundo

mínimo diário cadê você?

 

múltiplas vozes atuam em cenários múltiplos

uma voz interna fica a dizer várias vezes: mínimo diário cadê você? onde estão? o que fazem? cadê os trabalho novos? cadê a divulgação? e a voz interna entra em contato com a voz externa:

 

cenário 1

  • toda quarta, dia mercúrio temos reunião. entre 16h~16h30 até umas 18h~19h na cidade são paulo. os três fazem encontro. seja no centro cultural, num sesc, na casa do carlos. seja. ana, carlos e paulo se encontram e ali mínimo diário.

cenário 2

  • vocês viram? outra pessoa curtiu a página. de onde surgem essas pessoas? é. faz tempo que não publicamos nada.

cenário 3

  • planejamento! o que queremos com isso tudo? mas é arte? cultura? ou educação?

cenário 4

  • e aquele e-mail alguém respondeu?

 cenário x…

  • cenários dobram e desdobram a gente. como se fossem livros que vamos folheando e vivendo a cada mundo espaço novo. mínimo diário não quer ser. não quer identidade fixa e burocracia protocolar. mínimo diário quer fazer. e por isso resiste. agimos para ir além, além da geração faça-você-mesma-empreendedorismo-arte-urbana-contemporâne-craft-design-publicação-independente . além de nossos corpos. queremos criar corpo-além que compõem com os fluxos vivos. encadernação e outras histórias. temos um sedimento imaginário que é a encadernação e fora isso temos “e” e “outras” e “histórias”.

 

irrompem forças da alegria

estamos em obras. estamos a nos (re-)inventar. encontro da arte e do artesanato. encontros de nós e agulhas. encontro de linhas e tintas.

grito tudo isso pois a cada vez que um planejar exterior a nós se encontra, ele nos dilacera. quebra fluxo. menospreza diferenças. diminui alegrias e potências. ele impõem formas de como ganhar dinheiro, de como se comunicar, de como existir. mas como ser só isso, se somos tantos? como seguir um passo-a-passo se nossas vozes são outras? inventadores de meios sejamos intensamente, re-existir! #InventeUmMeio

queremos existir múltiplos: entre artes manuais, histórias, teatro, divagações, casa, filosofia, livros, sábias, tecidos, encontros, rupturas. crianças, ruas, oficinas, olhares, formigas, mãos, teares, papelão, linhas, tintas. somos um coletivo feito de Afetos. potencializado nos encontros de se tentar. não temos uma visão de mundo, pois o tanto que é preciso que se destrua em nós antes de emergir o novo é muito maior. se for para escolher, que seja destruir-se-nos.

além desta escrita teclo com ana em nossa conversa, envio o primeiro trecho deste texto e ela responde:

“Mínimo diário sendo mínimo diário, encontros de escuta e compartilhamentos”

grifo e vamos tecendo. cada um com suas cores, formas, ritmos, tempos. cada um é corpos, e cada corpos é potencialidades. se a gente se abre aos afetos, nossos livros se multiplicam. não é a criação de paraísos, de fórmulas prontas para alcançar algo, e sim a abertura para os agoras. sem ressentimentos, sem transcendência e agora sim aberto para ser ARTE e CULTURA e EDUCAÇÃO. sem ‘mas’, sem limites para nos domesticar num sentido pequeno.

 

tudo isso para quê?

  • não é por dinheiro, e nos alegramos quando o dinheiro vem;
  • não é por técnicas, e nos alegramos na potencialidade das técnicas possíveis;
  • não é para transmitir conhecimento/cultura, e nos alegramos nas aprendizagens feitas conjuntas com outros;
  • não é por fama, e nos alegramos quando os encontro afetam e transpassam nos entres.
  • tudo é pelo fazer. pelo criar corpo em modos de existir outro. fabricar as nossas éticas-estéticas-políticas-economias… singulares conjuntas. nós.

é utópico? se for seja. é pequeno? se for seja. é o que for? se for que seja. abrimos os braços e deixamos vir. ventania. vento costurado. fogo da vontade que olha o hoje-futuro. águas que hidratam o corpo-fluir. terra que nos cerca-sedimento. a gente fruto-natureza-encontros-humanos. sejamos vontade de potência, em contato atritoso com Nietzsche. alteramos nossas máscaras diariamente com alegria.

 

fórmula final, ou da criação do mundo

o lugar aonde mínimo diário irrompe, onde é? é agora, no futuro do ontem…

criar mundo é criar a si. criar a si coletivo é criar nós. nós são linhas em fluxos que se emaranham. emaranhar é lidar com tensões. tensionar é tesão.
ou? sim…

 

p.s.: este texto tecido em teclas se perde pela internet. imagino como uma folha que rasga do livro e voa no ar e se junta as outras formando a lua. como disse em seu livro Shaun Tan.

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